Tem dia que a gente tá chateado, que não vê saída pra nada e ainda por cima bate aquela saudade louca da sua cama box, vazia no seu ex-quarto na casa dos pais...Comida da mãe, café na vó...Existem dias assim, principalmente pra quem é praticante do exílio voluntário. Geralmente o repé vem no domingo, como em qualquer lugar do mundo. Ainda mais durante aquele domingo que é coincidentemente uma daquelas datas comemorativas melosas tipo o dia dos pais.
Num destes dias cinzentos fui chorar as pitangas na casa do Jorge, meu amigo portuga e vizinho, mas antes de tudo amigo de todas as horas. E a queridíssima da namorada dele, Svetlana, sérvia me contou uma história de arrepiar os cabelos do braço.
Todo mundo sabe da Guerra da Bósnia-Herzegovina, que destruiu os Balcãs aí pelos anos 90. Pois é, a Lana não sofreu nenhuma baixa na família porque a cidade dela era longe. Mas ela tem uma amiga que morava em uma das partes ocupadas com franco atiradores e tal. A família da amiga teve a sorte de ser avisada de que eles teriam 10 minutos pra pegar itens essenciais para sobrevivencia e deixar uma casa de uma vida toda, sem olhar pra trás. Os pais pegaram documentos e a menina um álbum de fotografia.
Alguns dias atrás uma amiga muçulmana me disse uma frase muito sábia: Só sobrevive que não esquece das suas origens e foi o que a menina Bósnia fez, num ato de pânico e desespero por salvar a memória que a fez viver os tempos difíceis de refugiada de guerra.
Não sei se foi o vinho do Porto ou a história ou ainda por cima o jeito que a Svetlana contou mas eu realizei que o camundongo que mora na minha casa era tão assustador assim.
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As vezes outras historias fazem a gente ver o quanto temos e por algumas vezes nossos pequenos problemas se tornam grandes diante de outras desgraças.
ResponderExcluirque bom que tens amigos pertinho de vc!